Exposição em SP traz o olhar de 30 artistas para a Declaração dos Direitos Humanos

Para comemorar o aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro, o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, recebe uma exposição especial. São 30 gravuras, criadas, em 1991, por reconhecidos artistas da cena brasileira, com interpretações de cada um dos 30 artigos do documento histórico da ONU.

A curadora da mostra e do acervo artístico-cultural do espaço, Ana Cristina Carvalho, explica a motivação da exposição: “A Declaração foi feita em 1948 e hoje é mais atual do que nunca”. Ela destaca o contexto sociopolítico efervescente em que as obras foram criadas. “Na década de 1990, muitos trabalhos artísticos focavam nos direitos humanos, nos problemas da opressão, das guerras. A coleção de gravuras segue esse caminho”, diz.

Na época, o governo de São Paulo formou uma comissão, coordenada por Radhá Abramo, curadora do acervo estadual. Ela definiu o parâmetro das obras: para reforçar o espírito de conjunto, todas seriam em litografia (técnica de impressão sobre pedra) colorida sobre papel e no mesmo formato.

Trinta artistas contemporâneos, alguns dos quais foram perseguidos durante a ditadura militar, foram chamados para o trabalho. Cada um deles recebeu um artigo para interpretar, definido por sorteio.

Gravuras em exposição no Palácio dos Bandeirantes (foto: Léu Britto)

As gravuras, que se alternam entre a representação de figuras e desenhos abstratos, foram destinadas originalmente para a mostra “Cidadania – 200 Anos da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, realizada no Sesc Pompeia, na zona oeste da capital paulista.  

Cada obra teve tiragem de dez exemplares, totalizando 300 itens. O governo estadual adquiriu a primeira série de peças, que então passou para o acervo artístico-cultural do Palácio dos Bandeirantes, compondo a Galeria de Direitos Humanos. As demais estão expostas em museus, centros culturais e galerias do estado de São Paulo.

Convidado pela curadoria, o paulistano Claudio Tozzi foi um dos artistas que havia sofrido atos de violência durante a época da ditadura militar. Em 1967, Tozzi teve o painel Guevara Vivo ou Morto, exposto no IV Salão Nacional de Arte Contemporânea, em Brasília, parcialmente destruído a machadadas. Para a série de gravuras, ele ficou com o artigo 24, que trata do direito do ser humano a repouso e lazer.

Exposição no Palácio dos Bandeirantes tem entrada gratuita (foto: Léu Britto)

De acordo com o centro de monitoria do Palácio dos Bandeirantes, essa obra está entre as quatro que despertam maior interesse dos visitantes. Além de outros artistas conhecidos pela maioria do público, como Maria Bonomi, Aldemir Martins e Gustavo Rosa, os mais populares da exposição são Paulo Caruso (retratou o artigo 1), Zorávia (artigo 19) e Luiz Paulo Baravelli (artigo 29).

Embora faça parte dessa mostra temporária, com término previsto para o início de janeiro, a coleção de gravuras compõe o acervo permanente e continuará exposta em outras áreas do Palácio. Recentemente, o conjunto integrou a mostra “Resistir é preciso”, idealizada pelo Instituto Vladimir Herzog, nas sedes do Centro Cultural do Banco do Brasil em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Galeria de Direitos Humanos. Palácio dos Bandeirantes. Av. Morumbi, 4.500, Morumbi, São Paulo, SP. Ter. a dom.: 10h às 16h, com permanência até 17h. Grátis. Informações: (11) 2193-8282/8623 e monitoria@sp.gov.br

Gravuras em exposição no Palácio dos Bandeirantes (foto: Léu Britto)

Lista completa de artistas da exposição:

Aldemir Martins

Amélia Toledo

Antonio Henrique Amaral

Beth Turkieniez

Cildo Oliveira

Claudio Tozzi

Ermelindo Nardin

Evandro Carlos Jardim

Fernando Lemos

Gilberto Salvador

Gustavo Rosa

Hermelindo Fiaminghi

João Rossi

José Guyer Salles

José Zaragoza

Luiz Paulo Baravelli

Marcelo Nitsche

Maria Bonomi

Mário Gruber

Maurício Nogueira Lima

Octávio Araújo

Paulo Caruso

Renina Katz

Roberto Micoli

Samuel Szpigel

Savério Castellano

Sônia Von Brusky

Ubirajara Ribeiro

Zélio Alves Pinto

Zorávia Bettiol

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