Falar sobre direitos humanos exige polêmica ou humor, diz fundador do Quebrando o Tabu

Para Guilherme Melles, autor da página Quebrando o Tabu, falar sobre direitos humanos nos meios de comunicação exige uma abordagem mais leve. “Tudo o que fazemos tem um mote que é entretenimento primeiro, mudanças sociais depois. A gente só vai conseguir levar esses temas para novas audiências se o assunto for interessante, engraçado ou polêmico. Tem que ter uma maneira diferente”, disse.

Guilherme falou sobre o tema durante a Conferência Estadual do Jornalismo pela Paz, evento que integra a Semana pela Paz. O evento foi realizado na tarde de segunda-feira (17) na FAAP.  

Guilherme Melles, fundador do projeto Quebrando o Tabu (foto: Ira Romão)

O Quebrando o Tabu tem 9,5 milhões de seguidores no Facebook. O projeto nas redes sociais veio como complemento a um documentário homônimo, de 2011, que debate as políticas de combate às drogas.

Questionado sobre o que mais atrai a atenção entre os assuntos ligados aos direitos humanos, Guilherme disse que o interesse varia. “Fazia muito tempo que não postava sobre aborto, mas este ano, com o lance da Argentina (projeto de lei, impedido pelo Senado, que legalizaria o aborto), foram pelo menos três meses falando muito do assunto. Armas dá muito engajamento porque tem muitas pessoas a favor que querem se posicionar. Drogas  está em baixa, mas já teve um auge”, detalhou..

A conferência também contou com a presença dos jornalistas Léo Arcoverde, da Globo News, e Cíntia Gomes, da Agência Mural, e foi mediado por Edilamar Galvão, coordenadora do curso de jornalismo da FAAP.  

Edilamar Galvão, coordenadora do curso de jornalismo da FAAP (foto: Ira Romão)

“Vivemos num momento de desordem informacional, em que há uma série de informações maliciosas e declaradamente falsas. Diante desse cenário, se aprofunda a importância de discutir o jornalismo”, ressaltou a professora, que leu os 10 princípios fundamentais da profissão. Segundo a professora, os princípios são diretamente relacionados à Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Leo Arcoverde contou como usa a Lei de Acesso à Informação para produzir reportagens sobre dados dos serviços públicos que afetam a sociedade, primeiro no site Fiquem Sabendo e depois na emissora.

“Desde maio de 2012, qualquer cidadão pode requerer as informações que deseja ao poder público. Sempre peço dados querendo esclarecer algo que está apontando para algum erro. Faço pedidos quase diariamente e vou transformando esse material em histórias”, disse.

Leo Arcoverde, criador do site Fiquem Sabendo (foto: Ira Romão)

Obter dados públicos por meio da Lei de Acesso também é um desafio para Cintia Gomes. A jornalista falou sobre a atual dificuldade enfrentada para obter dados para uma reportagem sobre o salário dos professores da Grande São Paulo. “Só conseguimos os dados de  uma das 39 cidades. Foram cinco meses tentando, sem muitas respostas. Parece que a ideia é dificultar, enviam PDFs, planilhas enormes. E se para jornalistas é difícil, imagina para os cidadãos comuns”, ressaltou.

A Agência Mural começou com um blog, criado em 2010, e publica notícias sobre as periferias da capital e das cidades da Grande São Paulo, apuradas por jornalistas que moram nestas áreas. “Ao folhear os grandes jornais, a gente percebia que só se falava de violência sobre nossos bairros. Eu nasci e cresci no Jardim Ângela, que já foi considerado um dos mais perigosos do mundo, e o lugar ficou com essa imagem estereotipada. Por isso, na agência não falamos de violência e nem de assistencialismo, pois a grande imprensa já faz isso”, explicou.

Cíntia Gomes, editora na Agência Mural (foto: Ira Romão)

A Conferência Estadual do Jornalismo Pela Paz é parte da Semana pela Paz, da agenda de Direitos Humanos O Mundo que Queremos.  Nesta terça-feira (18) e na quinta-feira (20) serão realizadas ações virtuais com a hashtag  #SemanaPelaPaz.

Na quarta-feira (19), às 14h, o Encontro de Sensibilização para Contratação de Grupos Minorizados será realizado no auditório da Secretaria de Desenvolvimento Social, na região da Consolação, e reunirá profissionais de cinco temas. Veja a programação a seguir:

14h Abertura
Ana Paula Fava, Assessora para Assuntos Internacionais do Governo de São Paulo
Gabriela Almeida, Assessora de Direitos Humanos da Rede Brasil do Pacto Global da ONU
Márcio Elias Rosa, Secretário da Justiça do Estado de São Paulo

14h30 Painel 1 – Egressos do Sistema Prisional, Pessoas LGBTs e Pessoas em Situação de Rua
Karine Vieira (Instituto Responsa)
Vanessa C Sampaio Lima (Grupo Tejofran)
Rubi Delafuente (Transmissão)
Andre Lopes – Diretor Geral (Ben & Jerry’s)
Rafael Moraes dos Santos (Microempreendedor)

15h30 Coffee Break Migraflix

16h Painel 2 – Migrantes e Refugiados e Pessoas com Deficiência
Prudence (Empoderando Refugiadas)
Fernanda Assis Brasil (Camicado)
Jonathan Berezovsky (Migraflix)
Marinalva Cruz, Secretária Municipal Adjunta dos Direitos da Pessoa com Deficiência)
Rute Rodrigues, Gerente de Formação da Specialisterne

17h Encerramento
Gilberto Nascimento, Secretário de Estado do Desenvolvimento Social (a confirmar)

Local: Auditório da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social. Rua Bela Cintra, 1.032 – Consolação, São Paulo

Público no auditório da FAAP (foto: Ira Romão)

O encerramento da Semana Pela Paz acontece na sexta-feira (21), no auditório da Secretaria da Educação (Praça da República, acesso pela Av. Ipiranga, esquina com Av. São Luiz, portão B), a partir das 14h. Estão programadas palestras sobre xenofobia e feminicídio, workshop de comunicação não-violenta, exibição de documentários, performance artística sobre suicídio e show da artista sul-africana Nduduzo Dlamini.

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