Festival em SP abordará evangelização nas aldeias e medicina indígena

Cocar na cabeça, muitos adereços, pintura no corpo, quase sempre nus. Essa é a imagem que boa parte da sociedade brasileira faz dos cerca de 900 mil indígenas do país. Embora a maioria viva em áreas rurais, aproximadamente 320 mil se aproximaram das cidades e hoje estudam, disputam vagas no mercado, constituem família.

O Festival de Culturas Indígenas, promovido pelo governo do estado de São Paulo e ONU,  vai tratar o tema, um dos mais marginalizados do país, sob a perspectiva que vai muito além das aldeias e das produções artesanais indígenas.   

Além de arte e apresentações culturais, uma palestra magna e muito bate papo fazem parte do festival, que será realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, no próximo dia 18 de agosto, sábado, das 10h às 20h.

Iniciativa da Assessoria Especial para Assuntos Internacionais (AEAI) do governo paulista e Rede Brasil do Pacto Global da ONU, o evento é a quarta iniciativa da agenda O Mundo que Queremos, que comemora ao longo deste ano, por meio de uma série de ações, os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Durante todo o festival, os participantes poderão conhecer e adquirir produtos da Feira de Cultura Indígena, que vai contar com cerca de 30 expositores trazidos pela ONG Opção Brasil de Marcos Aguiar.

Cristine Takuá, educadora e militante indígena, participará de debate (Divulgação)

Após a apresentação do Ritual de Canto e Dança Toré Multiétnico, o Festival abre oficialmente a partir das 14h com a fala inicial da presidente do Memorial da América Latina Priscila Franco, da chefe da AEAI Ana Paula Fava, e da representante da Rede Brasil do Pacto Global da ONU Gabriela de Almeida.

Na sequência, o antropólogo Luis Donisete Grupioni, secretário-executivo da Rede de Cooperação Amazônica, abre as discussões com a palestra magna sobre a Revisão Periódica Universal (RPU) do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Das 14h às 20h, um looping com os documentários Ex-pajé (premiado no Festival de Berlim), Huni-Kuin Os Últimos Guardiões (premiado no Impact Docs Awards) e o curta da ONU Mulheres Indígenas: Vozes por Direitos e Justiça será exibido no auditório da Biblioteca do Memorial.

Os debates, organizados em formato de rodas de conversa, começam a partir das 15h.  

A proposta do primeiro painel é disseminar o conhecimento ancestral dos índios sobre a natureza na promoção de tratamentos para diversos tipos de dores e doenças. Elaine Barbosa de Moraes, enfermeira e pesquisadora do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa; Pedro de Niemeyer Cesarino, pesquisador em antropologia das formas com especialização em medicina indígena; o cineasta e pajé Carlos Papa; e a roteirista Marcela Godoy, autora da releitura de Papa-Capim (personagem criado por Maurício de Sousa), como mediadora, participam dessa roda de conversa.

O cineasta Luiz Bolognesi estará no segundo painel da tarde (Divulgação)

O time de panelistas do segundo painel, Evangelização nas aldeias e Direitos dos Povos Indígenas, inclui nomes como o de Marília Xavier Cury do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP; do cineasta Luiz Bolognesi (Ex-pajé); Cristine Takuá (educadora e militante indígena); David Karai (liderança Guarani Kaiowá); e de Abelardo Gomes Pinto, ex-coordenador da área de Povos Tradicionais do Projeto Microbacias II do CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral da prefeitura de São Paulo. 

“O propósito do festival é valorizar as culturas indígenas e apresentá-las para a população, focando na sensibilização das pessoas sobre as problemáticas enfrentadas pelos indígenas no Brasil e em outras regiões do mundo”, afirma Andrey Brito, coordenador de Cooperação da AEAI. “Não cabe falar em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Direitos Humanos e Sustentabilidade se os direitos desses povos tradicionais não forem respeitados e protegidos, principalmente a demarcação de suas terras”,  conclui.

O evento, livre e gratuito, conta com apoio do Memorial da América Latina, Secretaria estadual da Cultura, Prefeitura de São Paulo e da ONG Opção Brasil.  

O Mundo que Queremos

A agenda de direitos humanos O Mundo que Queremos é uma realização da Assessoria Especial para Assuntos Internacionais (AEAI) em parceria com a Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Durante todo o ano de 2018, várias ações revisitam os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em comemoração aos 70 anos da assinatura do documento de 10 de dezembro de 1948.

O #SmashTheGlass na Pinacoteca, o seminário Abolição – 130 anos depois realizado no Museu AfroBrasil, e a mostra de filmes e documentários com foco nas questões dos transexuais TRANSdocumenta foram os três primeiros eventos da agenda. Todos com apoio da Secretaria da Cultura do governo de São Paulo.

Após o Festival das Culturas Indígenas, a agenda O Mundo que Queremos promove ainda um evento com foco nos refugiados e um último, o  Força Menina, que vai abordar a questão do empoderamento da menina em parceria com o Consulado do Canadá.

Em 10 de dezembro, data da celebração dos 70 anos da Declaração, a AEAI e o Pacto Global lançam a publicação O Mundo que Queremos com o registro, artigos, fotos e amplo material sobre todas as ações realizadas em 2018.

Carlos Papá, cineasta e pajé, estará no evento (Divulgação)

Programação – Festival das Culturas Indígenas

Memorial da América Latina

Data: 18/8 (sábado)

10h | Abertura da Feira de Expositores Indígenas

11h | Abertura ritual com Canto e Dança Toré Multiétnico

12h às 13h | Rodas livres de conversa nos estandes
Pintura corporal, artesanato, realidade indígena no meio urbano

13h00 | Apresentação Cultural Ritual de Canto e Dança com os Praiá Pankararu

13h40 | Pintura Corporal com Same Putume

13h55 | Apresentação de tambores

14h | Falas de abertura, com Ana Paula Fava, Assessora Especial para Assuntos Internacionais do Governo do Estado de São Paulo, Gabriela Almeida, Representante da Rede Brasil do Pacto Global da ONU e Priscila Franco, Presidente do Memorial da América Latina

14h | Início do looping de documentários Auditório da Biblioteca
Ex-Pajé – direção Luiz Bolognesi
Huni Kuin – Os Últimos Guardiões – Danilo Arenas
Mulheres Indígenas: Vozes por Direitos e Justiça – Produção ONU

14h30 | Palestra Magna
Luís Donisete Grupioni, Secretário executivo da Rede de Cooperação Amazônica

14h50 | Apresentação cultural – Coral Guarani do Krukutu

15h | Roda de Conversa 1 Medicinas tradicionais e saúde indígena

Mediação: Marcela Godoy – roteirista e autora da releitura do Papa-Capim (Maurício de Sousa)

Elaine Barbosa de Moraes – Estuda o tema “Saúde indígena: aspectos culturais da dor em indígenas do Amazonas” no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa

Pedro de Niemeyer Cesarino  Pesquisador em Antropologia das Formas Expressivas e Etnologia Indígena

Carlos Papá – cineasta e pajé

Sofia Mendonça – Coordenadora do Projeto Xingu

Same Putume – Liderança Huni Kuin

16h00 | Apresentação cultural – Ritual de canto e dança  e Toré Multiétnico com todos os presentes

16h30 | Roda de Conversa 2 – Evangelização das aldeias indígenas, culturas Indígenas urbanas e direitos dos povos indígenas

Mediação: Marília Xavier Cury – Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo

Luiz Bolognesi – Diretor do documentário “Ex-pajé”  

Cristine Takuá – Educadora e militante indígena  

David Karai Popygua  – Liderança indígena Guarani Kaiowá, membro da comissão Guarani

Abelardo Gonçalves Pinto – Ex-coordenador da área de povos tradicionais do projeto Microbacias II do CATI com o Banco Mundial

17h30 | Apresentação Ritual Final de Canto e Dança -Toré Multiétnico com todos os presentes

20h | Encerramento da Feira Cultural Indígena e do Festival de Culturas Indígenas

Endereço: R. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo. Ao lado da estação Palmeiras-Barra Funda do metrô e da CPTM.

4 thoughts on “Festival em SP abordará evangelização nas aldeias e medicina indígena”

  1. Estou feliz com a iniciativa dos governos para com os índios que sempre foram esquecidos, espero que esse evento seje o inicio da reparação do esquecimento,

  2. Muito importante está realização. Que nos próximos eventos possa contar com representações indígenas do leste sudeste.

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