A agenda O Mundo Que Queremos

Há 70 anos, no dia 10 de dezembro de 1948, foi assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um marco na luta e no reconhecimento de que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”, a Declaração foi um passo essencial para a garantia dos direitos fundamentais das pessoas.

Sete décadas depois, temos incontáveis avanços, mas também retrocessos significativos, no Brasil e no mundo. A igualdade econômica entre mulheres e homens, em ritmos atuais, levará até 217 anos para ser alcançada. Atualmente, temos o maior número de deslocados internos e refugiados da história, com mais de 60 milhões de pessoas.

Entre os 10 por cento mais pobres do Brasil, 76% são negros. Assassinatos de pessoas LGBT cresceram 30% entre 2016 e 2017. A taxa de suicídio de jovens indígenas é mais do que o triplo da média nacional, e a de mortalidade infantil, o dobro.

O Brasil é ainda o terceiro país no mundo com maior número de pessoas presas. A crescente polarização política que vivemos --também no Brasil e no mundo-- torna avanços cada vez mais difíceis, e o diálogo cada vez mais raro.

Em momentos de troca de gestão e importância política, portanto, é essencial conjugarmos esforços para que os direitos do cidadão estejam em pauta, acima do discurso de ódio e das já conhecidas fake news. É necessário que minorias dialoguem --não somente com a população, mas também entre elas. É necessário promover ações que agreguem e demonstrem que o impacto positivo da inclusão não vai exclusivamente para as minorias, mas para todos.

Nesse cenário, nasce a agenda O Mundo que Queremos, uma parceria entre o Governo do Estado de São Paulo e a Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Vamos dialogar, promover ações, gerar impacto positivo e demonstrar que a única barreira para a inclusão é a ignorância.

Objetivos

A. Gerar conscientização, por meio de debates, palestras, comunicações em mídias sociais, programas e intercâmbio cultural, sobre a importância da inclusão de direitos humanos como base transversal em políticas públicas e privadas.

B. Promover debate e diálogo entre organizações e minorias de diferentes grupos, para que o discurso e interesses destes grupos possa ser representado de maneira transversal no debate político.

C. Promover ações e programas com impacto positivo contínuo, para além de 2018.

D. Registrar as ações, debates e programas com uma perspectiva nova e participativa da população, para que estes tenham continuidade em próximas gestões públicas.

E. Promover a implementação, na ótica dos direitos humanos, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, respeitando o conceito mais importante da Agenda 2030: Não deixar ninguém para trás.

Léu Britto / DiCampana Foto Coletivo
Léu Britto / DiCampana Foto Coletivo