TEDxSP falou sobre violência contra a mulher, criatividade e moda na terceira idade

Exatamente no dia 10 de dezembro de 2018, data em que se comemorou o aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, quase 700 pessoas assistiram ao último evento da série O Mundo que Queremos, que terminou com festa no Theatro São Pedro, na capital paulista.

O evento TEDxSãoPaulo  teve a parceria da Rede Brasil do Pacto Global da ONU e do Governo do Estado de São Paulo com o TED, organização internacional criada há 30 anos e sem fins lucrativos, e que promove o compartilhamento de experiências pessoais para plateias de vários países.

Intercaladas por apresentações artísticas, palestras de personalidades e de pessoas anônimas trataram de temas como violência, criatividade e moda na terceira idade. A organizadora e curadora do evento, Elena Crescia, diz que o objetivo foi o de “disseminar ideias para discussão e reflexão das pessoas”.

A atriz Bruna Lombardi (foto: JP/TEDxSP)

Além de material com a programação oficial e de informações sobre o TEDxSãoPaulo,  todos os participantes receberam a revista oficial da agenda O Mundo que Queremos, trazendo reportagens dos eventos realizados, no decorrer de 2018, e a íntegra da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A abertura do TEDxSãoPaulo foi feita pelo Unidos do Swing, coletivo paulistano de arte de rua que une o jazz tradicional de Nova Orleans com a música brasileira. Ainda na parte artística do evento, a cantora Indy Naíse mostrou seu repertório autoral, com foco nas questões das mulheres negras, racismo, machismo e desigualdade social. E a poetisa paulistana Anamari Souza fez uma apresentação forte, sobre intolerância religiosa.

Maria Laura Canineu, advogada e mestre em direito internacional, apresentou uma das palestras de destaque da noite. Ela atua na entidade independente Human Rights Watch (Observatório de Direitos Humanos),e lembrou a importância do dia 10 de dezembro de 1948, data de assinatura do documento histórico da ONU.

Quase 700 pessoas acompanharam as atividades (foto: Belém/TEDxSP)

Maria Laura destacou que os valores dos direitos humanos fundamentais começam em pequenos lugares, perto de casa. Para ela, o alerta fundamental é de que “ainda hoje vemos questões de violação da Carta da ONU ao redor do mundo, dos princípios que nos protegem da tirania e do autoritarismo”.

A advogada lembrou a guerra sangrenta na Síria, o recente assassinato do jornalista Jamal Khashoggi na embaixada da Arábia Saudita em Istambul, e comentou que cada um pode exercer plenamente os preceitos da Declaração. “É só fazer um exercício e se colocar no lugar do outro, que está tendo seus direitos violados. Você aceitaria se fizessem isso com você ou sua família?”, pergunta. Ao término de sua fala, ela puxou um grito de “parabéns”, com a plateia, pelo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Na plateia do evento, o analista de RH, Caio Silva, 22, concorda com a palestrante. Para ele, a declaração dos direitos humanos precisa efetivamente ser universal. “Acho que precisa sair do papel e permitir que todas as pessoas tenham os direitos fundamentais garantidos”, avalia.

Já Thamara Alencar, 29, também profissional na área de Pessoas, destaca o interesse na diversidade, respeito e inclusão “de verdade”. Para 2019, ela quer “um mundo mais inclusivo e com respeito às diferenças. Falo de todas as pessoas, mas principalmente daquelas com deficiência, da inclusão das mulheres e dos negros no mercado de trabalho”, completa.

Representante do Human Rights Watch, Maria Laura Canineu puxou o grito de “Parabéns” pelo aniversário da Declaração (foto: Belém/TEDxSP)

Atriz, escritora e ativista ambiental, Bruna Lombardi fez a palestra mais aplaudida da noite. Criadora da Rede Felicidade, uma comunidade interativa que propõe promover o equilíbrio entre corpo, mente e espírito, Bruna diz que todos “somos agentes de transformação em nosso dia a dia”.

Ela contou um episódio recente de violência que sofreu em casa, com a família. “Foi uma experiência estranha, fiquei com um revólver na cabeça, às 10 horas da manhã. A gente faz escolhas a cada fração de segundo e a felicidade também adianta na hora da violência”, diz. Ela conta que os ladrões “tremiam” e que ”parecia surreal, mas chegou a pegar na mão de um deles”. A atriz relata que procurou manter a serenidade no meio da adversidade. “Devemos ter gratidão a tudo que nos acontece, mesmo as ruins”. Bruna avalia que “foi um assalto sereno, levaram os bens materiais que eu tinha, mas deixaram o que realmente tem valor e que ninguém tira, o que eu construí dentro de mim”.

A violência contra a mulher foi abordada pela modelo e empresária Jessica Aronis. Ela deu um depoimento pessoal contando a experiência no casamento, que evoluiu de um “conto de fadas” para um relacionamento abusivo, repleto de humilhações e agressões verbais, psicológicas e físicas.

A empresária afirma que foi “condicionada” a aceitar os atos do agressor como normais. “Passei por situações hoje impensáveis, de submissão total, como pedir desculpas de joelhos”. Contando detalhes de cada etapa de sua vida conjugal, Jessica diz que, hoje, sua motivação é conscientizar e auxiliar outras mulheres a denunciarem as agressões e saírem de situações de violência doméstica, como as sofridas por ela.

O evento terminou em festa na frente do Theatro São Pedro (foto: JP/TEDxSP)

Outra palestra de grande repercussão foi a da chef de cozinha e estilista Helena Schargel, 79, que falou sobre criatividade, com citações a Albert Einstein, seu inspirador. Com 45 anos de carreira e aposentada, ela recentemente movimentou o mercado da moda, ao lançar a coleção de lingerie Helena Schargel 60+, para mulheres com mais de 60 anos. A platéia também entrou no clima descontraído, quando a estilista desfilou com uma de suas criações no palco do teatro, ao som do filme “Uma Linda Mulher”, e foi ovacionada.

Os demais palestrantes do evento foram a médica Ana Paula Carvalho, o fotógrafo André François, a publicitária Béia Carvalho, a designer Cristina Naumovs e os estudantes Thomas e Victor Cruz Lutes.

O TEDxSãoPaulo foi encerrado com a apresentação musical de dois grupos que utilizam instrumentos tradicionais brasileiros. O Bloco de Pífanos de São Paulo se juntou à Orquestra Livre de Rabecas e, juntos, levaram uma multidão do interior do teatro até a rua Barra Funda.

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